
O bom de um filme quase independente, só com a pontinha do rabo preso à indústria cinematográfica, é que ele pode explorar temas complexos e polêmicos com certa leveza, levando a audiência a pensar um pouco mais sobre certos posicionamentos. Ainda que faça isso de forma indireta, vale a pena. Indicado ao Oscar de Melhor Filme, e claramente ali por conta do acréscimo de mais cinco filmes aos cinco convencionalmente indicado ao longo da existência da premiação, Minhas mães e meu pai tem um começo promissor.
Os primeiros trinta minutos de projeção são bastante simpáticos, colocando a questão da união homossexual em pauta sem exageros ou maneirismos. O roteiro conta a história de um casal de lésbicas que cria dois filhos, reproduzidos com a ajuda de um anônimo doador de esperma. Quando os jovens decidem procurar o dono dos espermatozóides que fecundaram os óvulos de suas duas mães, o então sujeito que esvaziou a bolsa escrotal entra na família, estabelecendo relações que geram conflitos em todos.
O elenco é o ponto alto do filme. O casal é interpretado por Julianne Moore e Annette Bening, ótimas, sem exageros. Mark Ruffalo, irrepreensível, é o pai. Nisso, a direção funciona perfeitamente. As cenas que envolvem certa tensão sexual são resolvidas de forma bastante simples.
O problema é que lá pelo terço final a maionese desanda. O que era uma comédia dramática simpática se torna um folhetim mexicano. Toda a simpatia com a qual o tema era levado até então some, e dá lugar a reviravoltas mal exploradas e resolvidas de forma preguiçosa. A cena final aposta num certo tipo de conservadorismo, deixando exposta a fragilidade do argumento.
4 comentários:
Concordo com sua visão....Gostei do filme. Mas, no final a maionese desanda.....Fiquei um pouco decepcionado.
Eu concordo em partes com você. O elenco é o ponto alto do filme e, apesar de não gostar do caminho que o roteiro toma em seu terço final, acho que o resultado continua sendo satisfatório!
Cara, como esse filme é ruim!
Dudu, sigo te lendo post a post, apesar de não comentar sempre.
Abraço! Pedro.
Adoro ler suas resenhas!!! bjks jovem
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