
Não há dúvida que Scott Pilgrim contra o mundo vai ser considerado um filme segmentado, produzido para um determinado tipo de espectador, a saber: adolescentes recém-saídos da puberdade e adultos com um dos pés arraigados nas memórias da infância. Normal, né? A adaptação cinematográfica dos quadrinhos criados por Bryan Lee O'Malley tem uma linguagem completamente diferente do que está em cartaz por aí. Vou mais além e digo-lhes que se trata de uma experimentação cinematográfica levada ao extremo, tendo como base as HQs e o videogame.
Edição super veloz (veloz mesmo, camarada), cortes temporais secos e diálogos muito rápidos parecem ser o norte de Scott Pilgrim contra o mundo. Muita gente vai dizer por aí que isso é reflexo da instantaneidade da informação. E, de certa forma, estão certos. Num primeiro momento, nós, balzaquianos, temos a amarga impressão de que o filme não foi feito para a nossa geração. Se ficamos boquiabertos com a agilidade do novo cinema britânico, com a montagem impetuosa de Trainspotting, ou a edição sagaz de Snatch, o filme de Edgar Wright pode nos deixar essa sensação de senilidade latente.
Porém, nada disso atrapalha a fruição. O bacana é que Scott Pilgrim contra o mundo tem um roteiro bem amarrado e interessane. Conta a história deste jovem que dá nome ao título, baixista de uma banda de garagem chamada Sex Bob-OMB, que se apaixona por uma entregadora de pacotes da Amazon, a descolada moça de cabelos tingidos Ramona Flowers. Porém, para que a união se eternize, o pobre rapaz precisa enfrentar uma malvada liga de sete ex-namorados do mal.
O casal protagonista é formado pela ótima Mary Elizabeth Winstead e pelo - já há algum tempo - novo queridinho da tela grande, o carismático Michael Cera. O resto do elenco não deixa a peteca cair e dá conta do recado. Destaque para a participação especial de Jason Schwartzman, irretocável!
Vale um parágrafo para a trilha sonora, espetacular! Tanto as músicas do Sex Bob-OMB, quanto as canções de fundo, são todas extremamente bem selecionadas. Tem gente muito boa por ali, como Beck (que assina as músicas da banda fictícia), Frank Black, Metric e Broken Social Scene.
Lamentavelmente, o filme parece ter estreado somente no circuito paulista (é isso mesmo, amigos da Terra da Garoa?). O resto do país vai ter que aguardar sabe-se lá quanto tempo. E, depois, os estúdios têm medo do fantasma da pirataria...
5 comentários:
Enfim, espero pelo menos conseguir ver o filme em DVD.
Abs.
Quero assistir esse filme. Mas, esperarei em dvd.
Só tenho lido bons comentários sobre esta obra, o que me faz ficar bem curiosa para assistir ao filme.
É o tipo de filme que precisa ser visto no cinema e só vi em casa, infelizmente por causa da fraca distribuição. Ma eu gostei pra caramba e olhe que não sou dos mais fascinados por video-games e afins...
p.s.: sempre tenho a impressão que já comentei aqui e quando vejo não comentei... ¬¬'
Estou bem animado para ver o filme, e é bom saber que tem uma pegada jovem, ágil e pop. A questão é embarcar na viagem proposta.
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