
Quando Woody Allen filma a si mesmo tendo ataques neuróticos e bloqueios criativos, suas produções costumam ser um pé no saco - ao menos a mim. É um personagem que já deu o que tinha que dar lá no começo da carreira como cineasta. Talvez o velho Allen tenha percebido isso. Muito perspicazmente, vez em quando, começou a escalar bons atores para substituí-lo. É o que ele faz em Tudo pode dar certo, divertida e despretensiosa comédia existencial.
O ótimo Larry David é quem fica encarregado de ser o alterego de Allen, e o faz muito bem. Seu personagem, o mal humorado professor de física indicado ao Nobel, Boris, dialoga com a plateia sobre as escolhas que fazemos e sobre aquelas às quais não temos controle. Solitário, decide abrigar uma jovem interiorana recém-chegada a Nova York em sua casa. A relação dos dois se fortalece e uma série de eventos, que talvez não possam ser explicados pelas leis da física, tomam parte em um microcosmo tipicamente novaiorquino.
O elenco é competente, o roteiro é bom, os diálogos são bem trabalhados, os personagens são bastante interessantes e, por isso, o filme flui com leveza. O desfecho é meio preguiçoso, meio bobinho, meio desnecessário. Mas e daí? Às vezes a vida é assim mesmo.
8 comentários:
Adorei a resenha! Tô doida para conferir este filme.
Beijo!
Somos dois então, Kamila. Os comentários acerca do filme são muito positivos, e vindo da despretensão do Allen, dá mais vontade ainda de ver.
Kamila, eu arrisco que você vai gostar!
Rafael, quando Allen exercita a despretensão, quase sempre dá certo.
Bjs e abs!
Eu gostei bastante. Nesse ano de vacas magras, é um dos melhores. Texto muito bom, como sempre. O Larry David caiu muito bem como o alter-ego do diretor.
Abs!!!
Pedro, ontem estava numa mesa de bar conversando com uma galera sobre o Allen. Quando ele é despretensioso, me agrada. Vi Manhattan, to pra escrever a resenha, e achei até bacana, mas pretensioso. Aí é o Allen que não gosto.
Abs!
"Quando Woody Allen filma a si mesmo tendo ataques neuróticos e bloqueios criativos, suas produções costumam ser um pé no saco."
Ai, obrigado, eu também.
E gostei do final, exatamente isso que você falou, mas gostei. E gostei bastante do filme, apesar de preferir os últimos dele, como VCB e Match Point.
[]s!
Jeff, difícil achar quem concorde comigo! rs.. Mas acho que é isso mesmo: quando ele faz filme erudito, acaba ficando chato.
Abs!
Sei lá, pra mim foi Larry David quem escreveu esse roteiro. As piadas, o timing, tudo me pareceu muito ele. O que é bom porque ele é genial.
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