
Sidney Lumet é um diretor conhecido pela brutalidade com que trata a degradação dos seus protagonistas. The pawnbroker, de 1964, não foge à regra. É um filme denso, melancólico e bastante angustiante. Personagens, diálogos, locação e montagem ajudam a contar uma história que envolve memórias do Holocausto e a dificuldade da crença no ser humano.
A primeira cena mostra Sol Nazerman, um judeu sobrevivente da guerra, aproveitando um dia de lazer com a família. Um estrondo interrompe a narrativa e há um salto temporal. Sol é o dono de uma loja de penhores em um bairro barra pesada de Nova York, onde trata com pessoas à beira do desespero - ofício perfeito para um homem que perdeu a compaixão pelo próximo e que se mantém indiferente aos dramas por trás das quinquilharias à venda.
Lumet demonstra toda a sua habilidade como diretor e faz um filme tecnicamente perfeito. A imagem é clara, direta, sem rodeios. Para incrementar a narrativa, a edição se utiliza de um recurso conhecido como two frames cut, quando uma imagem é mostrada em apenas dois fotogramas. No caso, são as imagens de um passado que tem influência no comportamento de Sol. Aos poucos, vamos montando um quebra-cabeça horripilante.
A interpretação de Rod Steiger é absoltamente incrível! E os coadjuvantes não ficam para trás. A trilha sonora é assinada por ninguém menos que Quincy Jones. Ou seja, é um timaço a serviço de um grande diretor.
3 comentários:
Conheço pouquíssimo da filmografia do Sidney Lumet. Somente as obras mais recentes dele!
Beijos!
Não conheço o filme, mas vejo que você o adorou!
Kamila, pois foi a curiosidade em saber de onde veio o diretor que me levou até este filme. Eu recomendo, viu?
T1460, gostei mesmo! Talvez seja um dos trabalhos mais bacanas do Lumet.
Bjs e abs!
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