
Quando eu era minúsculo, já freqüentava o que era conhecido como videoclube, que nada mais era do que a primeira versão das videolocadoras. A diferença é que funcionava como um clube mesmo. Ao invés de um título, pagava-se por um VHS. Me lembro também da prateleira de comédia. Havia um desenho animado que, não sabia o porquê, minha mãe não me deixava levar para casa. E era esse aí de cima, Fritz the cat.
Hoje em dia eu entendo minha mãe. Eu não percebia, mas tratava-se de um desenho erótico, picante e politicamente incorreto. Ainda mais para mim, um moleque de pernas lisas, sem pelos pubianos, de voz fina e desengonçado. Foi semana passada, ao ler uma matéria sobre os anos 60 e a contracultura que me deparei novamente com o gato Fritz. Eu não precisava mais de autorização materna.
Baseado no personagem criado pelo cartunista Robert Crumb, Fritz é um jovem gato que decide viver a vida intensamente. Ou seja: muito sexo, drogas e rock'n'roll. Ao longo do desenho, uma verdadeira fauna de personagens vai sendo apresentada. Há porcos policiais (os pigs, gíria para as autoridades), tamanduás tarados, coelhos nazistas e corvos malandros.
O desenho animado, assim como as histórias de Crumb, nada mais é do que um deboche sobre os ícones sessentistas, que englobam fatores comportamentais e culturais como, por exemplo, os hippies e sua vontade de mudar o mundo. O roteiro, como não podia deixar de ser, é completamente psicodélico, perfeitamente dentro da proposta.
Crumb não gostou nem um pouco do resultado da realização de Bakshi - segundo o diretor, por motivos egocêntricos, o que deve ser verdade, uma vez que o cartunista tinha constantes problemas com isso. Fato é que o desenho se tornou cult e entrou para a história do cinema como a primeira animação a ganhar classificação indicativa pornográfica, a famosa X-rated.
Portanto, divirta-se! E não esqueça de tirar as crianças da sala.
5 comentários:
Conheço o Robert Crumb do filme "Anti-Herói Americano", mas confesso que nunca ouvi falar desse filme. Mas, esse é o barato do seu blog, Dudu. A gente lê sobre filmes interessantes e que merecem ser descobertos!
Sem querer lhe corrigir, até porque eu não tenho certeza, mas... "American Splendor" não se trata do escritor de quadrinhos Harvey Pekar? Pelo que lembro, o Crumb é o desenhista das histórias do Harvey.
Kamila, bom saber que você curte descobrir esses filmes - que para mim também são redescobertas. Sobre o filme citado, American Splendor e Anti-herói americano são a mesma coisa!
Dougra, você tem toda a razão. Apesar do Crum aparecer no American Splendor, o filme não é sobre ele. Obrigado!
Bjs e abs!
Esse filme me fez lembrar que durante uma festa na UFRJ, alguém tinha a cópia do Fritz e a exibiu num telão. Mas a bagunça era tanta que nem deu para me concentrar. Do que deu pra ver, ele era bem anárquico mesmo. Quanto ao seu criador duas curiosidades: Ele matou seu personagem de maneira estúpida após o lançamento deste filme e estrelou um documentário fascinante e ao mesmo tempo perturbador chamado Crumb. Se alguém tiver a chance, assista.
Escrevi demais, né?
Ciro, meu camarada, essa morte rendeu até uma continuação, chamada "As nove vidas do gato Fritz". Uma festa rolando Fritz... hmmm... Festa hedonista? Porque se a bagunça era tanta assim... rs...
Abs!
Postar um comentário