
Nelson Rubens já dizia que aumentava, mas não inventava. Em Javé, cidade fictícia do longa de Eliane Caffé, o uso desse lema pode ser a salvação de todos os moradores da cidade.
Prestes a ser inundada por causa da construção de uma barragem, ou seja, em virtude do "progresso", a pequena cidade baiana só tem uma maneira de escapar da catástrofe: se tornar um patrimônio histórico em virtude de algum feito ou ato de bravura. Para escrever as memórias de Javé, o povo confia os trabalhos ao outrora repudiado Antônio Biá, um ex-carteiro que floreava as histórias de outros, difamando quase todos os moradores da região. Uma espécie de Gregório de Matos, o Boca de Inferno, do interior. O que se segue são entrevistas nas quais heróis, mitos e lendas se confundem com a dura realidade de um povo esquecido justamente pelo tal progresso.
Eliane Caffé demonstra segurança na direção, e por isso mesmo o longa foi bastante premiado em festivais de todo o Brasil. Porém, o filme tem certos maneirismos dos quais a maioria das produções ambientadas no Nordeste tem. As principais delas: o perfil dos moradores e o tal sotaque. É estranho ver artistas, alguns deles globais, circulando entre gente sem dente, que fala diferente, se veste diferente e age diferente. Neste quesito, Narradores de Javé perde alguns pontos.
O destaque do filme é, sem dúvida nenhuma, José Dumont - ótimo na pele do tal Biá. A caracterização do sujeito cheio de escárnio e deboche é perfeita, sem nenhum excesso.
No fim das contas, um filme honesto e divertido.
3 comentários:
Esse é um filme que só vale mesmo por causa do José Dumont.
Eu adorei pq o Dumont detona, de fato. Mas tem um que sensivel e sereno nesse filme q me encanta... deve ser o agreste mininu...
Kamila, eu acho o filme bom. Mas também é só isso. Tem passagens realmente fracas, mas acaba divertindo.
Debora, Dumont detona mesmo! Não é à toa que foi premiado.
Bjs!
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