
Já na década de 60, os filmes e personagens de Antonioni tinham fama de tristes e desamparados. Sendo assim, não foi surpresa para a crítica especializada quando o cineasta lançou uma de suas obras obras mais densas, "Deserto Vermelho".
De tão denso, fica até difícil discorrer sobre o tema do filme. Em uma cidade desolada pela poluição e castigada pelo progresso, três pessoas começam a se relacionar de forma diferente não só entre si, mas com o meio em que vivem. São os vértices da trama: Giuliana, uma bela, porém perturbada dona-de-casa, com problemas psicológicos; Ugo, um trabalhador de uma companhia local; e Corrado, um estrangeiro em busca de mão-de-obra qualificada.
O grande mérito do filme está nos detalhes estéticos, justamente o que diferencia Antonioni de seus contemporâneos. O som monocórdico e monótono das máquinas, as cores desbotadas e sem vida e os cenários esfumaçados e pouco nítidos ajudam a criar uma atmosfera opressiva, cheia de pontos de tensão. No final das contas, o drama não é dos seres humanos ali representados, e sim de toda uma concepção de mundo onde a incomunicabilidade fica exacerbada.
Não deixe de conferir nos extras do DVD os cinejornais da década de 60! Todos eles, claro, enaltecendo Vitti e Antonioni. Imperdíveis!
5 comentários:
Não conheço absolutamente nada a respeito da obra de Antonioni. Este filme seria uma boa pedida para começar a entrar no universo do diretor?
Kamila, Antonioni é um dos grande gênios do nosso tempo. Para adentrar o universo do diretor, eu recomendo dois filmaços: "Blow Up - Depois daquele beijo" e "Profissão: repórter". Pode alugar que você vai adorar!
Bjs!
Recomendações anotadas, Dudu!
Beijos.
meu sonho é ser a monica vitti em l'aventura...
b., acho que a melhor de adjetivar a beleza dela é assim: perturbadora!
Abs!
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