Assim como em Paris, Texas, o filme de Payne tem início com um homem desorientado caminhando pelo acostamento de uma rodovia. No caso, em Montana. Woody Grant é um senhor afetado pela senilidade que, ao receber pelo correio uma propaganda enganosa sobre um prêmio lotérico, insiste em ir até o Nebraska buscá-lo. A cidade fica a aproximadamente 2 mil quilômetros de distância de sua casa. Comovido pela obstinação do pai, mesmo sabendo que o prêmio não passa de uma armação, um de seus filhos resolve fazer a viagem de carro, na esperança de passar um tempo sozinho com o pai e tentar contornar os transtornos que sua condição causam a toda a família.
No longo caminho, a cada parada, Woody vai reencontrando seu passado, enquanto seu filho vai montando as peças de um quebra-cabeça que, ao final, vai dar a real dimensão sobre quem foi seu pai e como seus laços familiares e sociais foram construídos. Nebraska revela seu protagonista da mesma forma que Paris, Texas - lentamente, dolorosamente, paulatinamente. O que parecia ser uma simples história de um homem com a memória afetada pela idade se transforma em um complexo mosaico sobre como as tais memórias podem afetar as pessoas profundamente.
A trilha sonora de Nebraska, composta por Mark Orton, é linda! E contribui para reforçar o tratamento dramático que Payne planejou para o roteiro - da mesma forma que Ry Cooder foi preciso e indispensável para Wim Wenders ao compor uma das trilhas sonoras mais bonitas da história do cinema.
E mais: direção de atores perfeita, atuações impecáveis, fotografia em preto e branco, uma montagem caprichada... Enfim, um filmaço!

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